Crítica

A dedicação incansável à pintura levou Solange Palatnik a descobrir uma técnica e uma linguagem pictórica extremamente pessoais. No campo da técnica, podemos realçar o uso das tintas em relevo, que valoriza a matéria física da sua arte e transforma suas peças em verdadeiras pinturas-esculturas. Assim, elas podem e devem ser apreciadas não só pelo sentido da visão, mas também pelo tato. Outra conquista é o uso consciente da purpurina, que empresta um brilho especial às suas personagens femininas. Ainda no campo da técnica, temos a descoberta recente das telas circulares, em diversos diâmetros. E assim a artista faz um mergulho intenso no universo da pintura, essa realidade mágica que existe em paralelo ao nosso cotidiano.

Em pequenos, médios e grandes formatos, as obras circulares de Solange podem compor verdadeiras instalações. Cada peça pode ser vista como um módulo de uma série, imprimindo um sentido de ritmo ao conjunto.

No campo da linguagem pictórica, podemos aproximar as telas de Solange ao sintetismo de Gauguin. Tal como o pintor francês, Solange optou por um estilo não naturalista, com aplicação arbitrária das cores, que emergem em seus quadros como elementos totalmente subjetivos. E, assim como Gauguin, as figuras de Solange são construídas por superfícies planas de cor, delimitadas por linhas marcantes de contorno.

Uma figuração mais próxima das artes gráficas, que nos remete igualmente à estilização da pop art. As massas de tinta em relevo, a purpurina e suas temáticas marcadamente femininas são os elementos que tornam sua arte pessoal e intransferível.

Em suas telas, Solange faz uma nítida demarcação entre figura e fundo. As figuras podem ser suas flores (emblemas da alegria de viver e pintar) ou mulheres (sempre altivas, com olhares firmes e provocadores). Os fundos são sempre abstratos, e oscilam entre malhas de linhas geometrizadas ou formas orgânicas, ovais ou espiraladas. Alguns fundos são articulados com figuras de borboletas (emblemas de beleza efêmera, mas real e fulgurante) e em uma das suas telas a artista não hesitou em escrever versos de um de seus poemas (nada mais natural, já que a poesia também é uma de suas vertentes de criação artística).

No conjunto, esta exposição de Solange Palatnik irradia uma cálida e vibrante mensagem de amor à vida e à arte, na certeza de que o ser mulher será sempre uma potência livrore e questionada.

 

Mário Margutti

Maio de 2015

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